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dois nós

isso só pode ser errado
você é sensível e eu também
e a gente assim: num vai-num-vem
- isso é coisa lá que se faça?
você é todo (e eu sou é farsa:
forço um cinema nas entrelinhas
do nosso esquema retardatário),
você é vários e eu sou de versos
isso só pode ser arredio
- amor covarde de quem se esconde
por entre grades de "quando?", "onde?"
- isso é lá cena que se interpreta?
 você é meio e eu sou completa
e "o amor é feio", "o amor é briga"...
isso é coisa lá que se diga?
de cada lado, eu vejo um pranto
queimar calado num desencanto
- perene, vil.
você é poema e eu sou poesia
e o cinema acaba aqui:
sala vazia, cortina rala,
rostos cansados e dois
nós

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às vezes o coração que dorme levanta escala a garganta coas garra afiada e sai pela boca e eu não digo nada e me chamam de louca eu fico calada os calo na mão, a garganta inflamada, a má dicção, a fala embolada às vezes eu acho que fico engasgada com tanta emoção que encontro a troco de nada eu não sei se tô louca e se louca é ruim eu tô rouca de voz e tô fora de mim mas às vezes é certo sentir-se acuada que é tanto estilhaço que surge na estrada vou catando graveto com a mão e poeira com a sola do pé e um dia ainda dirão que o sujeito mais são é o louco que anda com fé

transa

estranhe-se não estrague-me a mão graveto de estrada de chão expurgue-se abuse-me então emane sertão engano ser vão ser til ser trema sermão apresse a prece, pagão o modo de produção a grosso modo: o osso morde o cão o quatro a roda a tração me prova (o trânsito na contramão) me prende (polícia come ladrão) metralha- me traia me transa com a mão me entrega um tu és que eu te dou um te são.

sem as mãos

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