Coração é que nem bicicleta. E ninguém entende minha bicicleta. Ela não desmonta, mas também n'aguenta: se a fizer de tonta, a bicha te arrebenta. O freio é todo gasto, e o pneu, careca - de saber dos rastros e pedaços que deixou pra trás. Tá desalinhada, pedalando dura, toda maltratada, com falha na pintura... O banco não senta, mas sente. O quadro não pinta, mas pende. Às vezes, se faz transparente, que fica difícil de achar, de repente. O guidão tá frouxo, tá sem direção. O bagageiro, gente, perdeu a noção do quanto de peso que já carregou. Das muitas caronas, de uma não esqueço: três anos de mágoa virada ao avesso. Foi aquilo que acabou com o pobre bagageiro. Desde então aprendi que até peso é passageiro. Conserto pra isso não se mede preço. Mas enfim. Ai, meu Deus... Eu mereço: é garfo arranhado, é pneu que é furado, é aro que empena... Coitada. Que pena: minha bicicleta já roubou a cena. Já se desmontou, quando era pequena. Desenferrujou, se recuperou; caiu, ...
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ResponderExcluirse aquela
ResponderExcluirsequela
começar
é tudo culpa dela
da siriguela
que eu mordi
e chupei
até ficar
banguela
sem dentes
coração
e goela
Hei Nina, joia!?
ResponderExcluirMuito legal suas poesias, fiquei encantado.
Ainda mais eu, que sou um seguelado.
Cheguei aqui por acaso e voltarei sempre. bjo.
Bom dia!
ResponderExcluirPra te falar a verdade não sei quem sou. Não é crise de identidade é excesso de informação. Te encontrei no orkut, temos amigos em comum e escritos tb. bjão
Fidel