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nenhum olhar

eu te lanço um olhar
e descobrimos juntos
a origem das palavras.
uma confissão serena
durante a tarde vazia.
fazemos troça
e traçamos planos
pros mais de dois dias.
a gente atrasa e se demora
nos gestos retóricos
da conversa.
são quatro e meia
e a mão passeia, dispersa,
no braço do sofá
- você me lança nenhum olhar.
eu não ligo.
finalmente,
alguns anos depois,
são quatro e trinta
e dois.

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