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angústia

fala entupida
cala meus medos
e deixa o silêncio

denso.

penso bem
passo mal

a sala vazia - ninguém sonhando.
uma enchente de gente
sentada.

sente só
tudo junto:

o nada nada
braçadas breves
de leve pluma

(- suave coisa?
- nenhuma.)

e o medo cresce
e o dedo desce
desconsertando
meus cortes rasos.

a pele é mel
a língua é tinta
acaba, pouca
arrasta, gasta
amansa, solta

e, seca, grita:

- o silêncio
me habi(li)ta.

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