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a solitude em sublimação

eu te observo
daqui de dentro
do ventre
do centro
do mundo
a fumaça do
teu cigarro
é uma lágrima
que afunda
mansa
e dança
o derrame
da melancolia

os teus pés,
trêmulos,
cantam
a melodia
do passo firme,
do piso falso
é um clamor descalço
à identidade
de quem se esconde
em fantasia

eu te vejo
daqui de fora
e é tudo embora
não haja nada

pesadas são
as verdades
como num jogo de tribunal
os fogos são de artifício
e o que é racional
não queima
do mesmo jeito:
teima em ser perfeito
quando a pérfida
vontade
de ser outro
arde o peito
e permanece

no seu leito
de vida
a mentira
morre

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às vezes o coração que dorme levanta escala a garganta coas garra afiada e sai pela boca e eu não digo nada e me chamam de louca eu fico calada os calo na mão, a garganta inflamada, a má dicção, a fala embolada às vezes eu acho que fico engasgada com tanta emoção que encontro a troco de nada eu não sei se tô louca e se louca é ruim eu tô rouca de voz e tô fora de mim mas às vezes é certo sentir-se acuada que é tanto estilhaço que surge na estrada vou catando graveto com a mão e poeira com a sola do pé e um dia ainda dirão que o sujeito mais são é o louco que anda com fé

tripé

Fiquei com vontade de escrever pra salvar vida de ninguém além da minha Peguei a caneta e o papel - mentira, isso é romance Pousei os dedos sobre o teclado e teci uma Clave de Sol solta no branco tropecei no meu passo, caí do barranco Hoje eu manco.

transa

estranhe-se não estrague-me a mão graveto de estrada de chão expurgue-se abuse-me então emane sertão engano ser vão ser til ser trema sermão apresse a prece, pagão o modo de produção a grosso modo: o osso morde o cão o quatro a roda a tração me prova (o trânsito na contramão) me prende (polícia come ladrão) metralha- me traia me transa com a mão me entrega um tu és que eu te dou um te são.