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interna

eu acho que
faz tempo
desde a época
da epopeia
aquela vibe
de pangeia
que num rimava,
necessariamente
e paulatinamente
eu construía
o universo
que eu queria
num verso livre
como eu também queria
ser contigo
e eu acho justo
tomar o susto
que você deu
quando me disse
todos os lances
- eu solucei,
sem solução
porque eu pensava
em campos vazios
em metros mínimos
e inimigos homônimos
em suas costas
num uniforme
e me dava
fome!
então some,
tenta fugir
trate de se aparecer
apenas em outros planos
in equos troianos,
em outros presentes
ou em passados
insanos
que os nomes
depravados
não me largam
nem me soltam
seus jeitos
voltam
tanto que
não dá mais
para dissociar
o amor finado
do próprio ar
que eu respiro
rarefeito
- cadê
as décadas insones
e despedidas contínuas
de antes
de agosto?
e o êxtase súbito
do seu rosto
cálido
cantando em
desgosto?
sim estão
todos
deitados
dormindo
profundamente

(*créditos a Manuel Bandeira)

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transa

estranhe-se não estrague-me a mão graveto de estrada de chão expurgue-se abuse-me então emane sertão engano ser vão ser til ser trema sermão apresse a prece, pagão o modo de produção a grosso modo: o osso morde o cão o quatro a roda a tração me prova (o trânsito na contramão) me prende (polícia come ladrão) metralha- me traia me transa com a mão me entrega um tu és que eu te dou um te são.

sem as mãos

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