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Penteio
com o pincel
vão
um cor ação
de pêlos

Os cabelos
trançam
transam
em canção,
os novelos
de aquarela
são fios vermelhos
de fita
amarela

Amar ela
amar-ei-la
amei-a

Há meia
hora
o agora
era tão certo!
Mais de perto,
o close em cor
corrompe;
a matiz
quebra o sinal
de trânsito;
em transe,
tropeço
na própria rima

Imagina só!
Só, imagina:

Que dó!
Que puxa!
Sozinha, caminha
com os olhos virados
e passos passados

Meus pêsames,
meus trôpegos.
Meu Deus

O adeus
que eu daria
foi-se com o dia
e agora
não demora
até que a
(m)ágoa escorra

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às vezes o coração que dorme levanta escala a garganta coas garra afiada e sai pela boca e eu não digo nada e me chamam de louca eu fico calada os calo na mão, a garganta inflamada, a má dicção, a fala embolada às vezes eu acho que fico engasgada com tanta emoção que encontro a troco de nada eu não sei se tô louca e se louca é ruim eu tô rouca de voz e tô fora de mim mas às vezes é certo sentir-se acuada que é tanto estilhaço que surge na estrada vou catando graveto com a mão e poeira com a sola do pé e um dia ainda dirão que o sujeito mais são é o louco que anda com fé

tripé

Fiquei com vontade de escrever pra salvar vida de ninguém além da minha Peguei a caneta e o papel - mentira, isso é romance Pousei os dedos sobre o teclado e teci uma Clave de Sol solta no branco tropecei no meu passo, caí do barranco Hoje eu manco.

transa

estranhe-se não estrague-me a mão graveto de estrada de chão expurgue-se abuse-me então emane sertão engano ser vão ser til ser trema sermão apresse a prece, pagão o modo de produção a grosso modo: o osso morde o cão o quatro a roda a tração me prova (o trânsito na contramão) me prende (polícia come ladrão) metralha- me traia me transa com a mão me entrega um tu és que eu te dou um te são.