Pular para o conteúdo principal

hipoteticamente

Se eu pudesse mesmo,
eu te dava o mundo
dentro duma caixa
que eu embrulharia em papel vermelho
com um laço de fita azul

Eu te dava um beijo de leve
e levava flores de todas as cores
pra você de noite
quando o sol se cala
e a lua exala sua ternura
numa nota só

Se eu mesmo pudesse,
eu cantava um Sol
sustenido maior que qualquer paixão
e quebrava o chão em mil pedaços
de passos dados
em rumo a um amor descalço

Se eu soubesse d'onde a chuva desce,
eu pedia pra eles
que cada gota derramada
fosse em função da tua sede
e que a Casa tenha parede
pra gente deitar
(e não dormir) na rede

Comentários

  1. ô que lindoooo! *-*

    em especial estes versos:
    'e quebrava o chão em mil pedaços
    de passos dados
    em rumo a um amor descalço'

    ResponderExcluir
  2. Faz tempo q não passo por aqui mas li tudo o que perdi...e sempre saio daqui inspiradíssimo com um sorriso dizendo:"essa guria é f*!"(desculpe o palavrão, não encontrei palavra melhor...rs!)

    Denis JH

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

às vezes o coração que dorme levanta escala a garganta coas garra afiada e sai pela boca e eu não digo nada e me chamam de louca eu fico calada os calo na mão, a garganta inflamada, a má dicção, a fala embolada às vezes eu acho que fico engasgada com tanta emoção que encontro a troco de nada eu não sei se tô louca e se louca é ruim eu tô rouca de voz e tô fora de mim mas às vezes é certo sentir-se acuada que é tanto estilhaço que surge na estrada vou catando graveto com a mão e poeira com a sola do pé e um dia ainda dirão que o sujeito mais são é o louco que anda com fé

transa

estranhe-se não estrague-me a mão graveto de estrada de chão expurgue-se abuse-me então emane sertão engano ser vão ser til ser trema sermão apresse a prece, pagão o modo de produção a grosso modo: o osso morde o cão o quatro a roda a tração me prova (o trânsito na contramão) me prende (polícia come ladrão) metralha- me traia me transa com a mão me entrega um tu és que eu te dou um te são.

sem as mãos

Coração é que nem bicicleta. E ninguém entende minha bicicleta. Ela não desmonta, mas também n'aguenta: se a fizer de tonta, a bicha te arrebenta. O freio é todo gasto, e o pneu, careca - de saber dos rastros e pedaços que deixou pra trás. Tá desalinhada, pedalando dura, toda maltratada, com falha na pintura... O banco não senta, mas sente. O quadro não pinta, mas pende. Às vezes, se faz transparente, que fica difícil de achar, de repente. O guidão tá frouxo, tá sem direção. O bagageiro, gente, perdeu a noção do quanto de peso que já carregou. Das muitas caronas, de uma não esqueço: três anos de mágoa virada ao avesso. Foi aquilo que acabou com o pobre bagageiro. Desde então aprendi que até peso é passageiro. Conserto pra isso não se mede preço. Mas enfim. Ai, meu Deus... Eu mereço: é garfo arranhado, é pneu que é furado, é aro que empena... Coitada. Que pena: minha bicicleta já roubou a cena. Já se desmontou, quando era pequena. Desenferrujou, se recuperou; caiu, ...