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ponto final

chega de moça tonta
de beber demais da conta
de nega arrastando o pé
debaixo da mesa

chega de ver e sentir beleza
nos olhos desvairados
de rostos
quase que
desnaturados

chega de verdade e diga olá
às doces mentiras
contadas em ordem
cronológica

Comentários

  1. olá mentira
    você sempre aqui?
    seja sincera
    não minta
    você gosta de mim?
    meu nome é verdade
    descubro tudo

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às vezes o coração que dorme levanta escala a garganta coas garra afiada e sai pela boca e eu não digo nada e me chamam de louca eu fico calada os calo na mão, a garganta inflamada, a má dicção, a fala embolada às vezes eu acho que fico engasgada com tanta emoção que encontro a troco de nada eu não sei se tô louca e se louca é ruim eu tô rouca de voz e tô fora de mim mas às vezes é certo sentir-se acuada que é tanto estilhaço que surge na estrada vou catando graveto com a mão e poeira com a sola do pé e um dia ainda dirão que o sujeito mais são é o louco que anda com fé

transa

estranhe-se não estrague-me a mão graveto de estrada de chão expurgue-se abuse-me então emane sertão engano ser vão ser til ser trema sermão apresse a prece, pagão o modo de produção a grosso modo: o osso morde o cão o quatro a roda a tração me prova (o trânsito na contramão) me prende (polícia come ladrão) metralha- me traia me transa com a mão me entrega um tu és que eu te dou um te são.

sem as mãos

Coração é que nem bicicleta. E ninguém entende minha bicicleta. Ela não desmonta, mas também n'aguenta: se a fizer de tonta, a bicha te arrebenta. O freio é todo gasto, e o pneu, careca - de saber dos rastros e pedaços que deixou pra trás. Tá desalinhada, pedalando dura, toda maltratada, com falha na pintura... O banco não senta, mas sente. O quadro não pinta, mas pende. Às vezes, se faz transparente, que fica difícil de achar, de repente. O guidão tá frouxo, tá sem direção. O bagageiro, gente, perdeu a noção do quanto de peso que já carregou. Das muitas caronas, de uma não esqueço: três anos de mágoa virada ao avesso. Foi aquilo que acabou com o pobre bagageiro. Desde então aprendi que até peso é passageiro. Conserto pra isso não se mede preço. Mas enfim. Ai, meu Deus... Eu mereço: é garfo arranhado, é pneu que é furado, é aro que empena... Coitada. Que pena: minha bicicleta já roubou a cena. Já se desmontou, quando era pequena. Desenferrujou, se recuperou; caiu, ...