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comofas

Os dedos não acompanham o ritmo das idéias
as muitas, muitas idéias
desperdiçadas, embaralhadas
na folha de papel

N'um canto uma letra, n'outro, um sentimento
e a tentativa de juntar tudo e fazer Poesia

Os medos não acompanham o ritmo das vontades
as loucas vontades derramadas
na forma de mel
doces, salgadas,
amargas, às vezes

Como escrever isso tudo num caderno?
deitando as palavras prum descanso
eterno e pacato
sem novidades, sem vontade, sem sentimento!
despeja tudo, toda cor, toda idéia
nessa logorréia -
Vomita palavra
imita Poesia

e põe essa hipocrisia pra dormir
que já tá deitada e agora
só falta
a
pa
gar

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às vezes o coração que dorme levanta escala a garganta coas garra afiada e sai pela boca e eu não digo nada e me chamam de louca eu fico calada os calo na mão, a garganta inflamada, a má dicção, a fala embolada às vezes eu acho que fico engasgada com tanta emoção que encontro a troco de nada eu não sei se tô louca e se louca é ruim eu tô rouca de voz e tô fora de mim mas às vezes é certo sentir-se acuada que é tanto estilhaço que surge na estrada vou catando graveto com a mão e poeira com a sola do pé e um dia ainda dirão que o sujeito mais são é o louco que anda com fé

tripé

Fiquei com vontade de escrever pra salvar vida de ninguém além da minha Peguei a caneta e o papel - mentira, isso é romance Pousei os dedos sobre o teclado e teci uma Clave de Sol solta no branco tropecei no meu passo, caí do barranco Hoje eu manco.

transa

estranhe-se não estrague-me a mão graveto de estrada de chão expurgue-se abuse-me então emane sertão engano ser vão ser til ser trema sermão apresse a prece, pagão o modo de produção a grosso modo: o osso morde o cão o quatro a roda a tração me prova (o trânsito na contramão) me prende (polícia come ladrão) metralha- me traia me transa com a mão me entrega um tu és que eu te dou um te são.